The sky as a witness Garanto uma coisa: de todo aquele pessoal do Rio que foi no Céu por Testemunha, dificilmente alguém teria ido se tivessem alguma noção do que estavam fazendo - ou seja, perderiam momentos históricos. Na realidade, ninguém sabia onde era Itaipuaçu exatamente, e o próprio nome confundia, dava uma falsa impressão de que era logo ali ao lado de Itaipu. Não era. Outro município.
Naquela noite, Coelho e mais alguém que não me lembro, acho que o Sávio, jogaram sinuca ouvindo som e fazendo coreografia com os tacos, pulando de um lado pro outro. Igor Cascalho dançou mesmo músicas do Beto Barbosa com a Fernanda, não a Fernanda baixinha, e sim a Fernanda Siqueira.
No final, o sol começou a nascer e deu para entender o sentido do nome - só havia o Céu por testemunha. Me lembro de, completamente embriagado, diante do Marcelo Pinto e da Valéria (com quem ele acabou se casando), ter escrito mensagens enormes na areia, perto da água, sem ter a menor noção do que eu estava fazendo.
Em dado momento, todos pararam, acho que eu, Igor, Coelho, Sávio, e mais alguém que não lembro e elegeram "a diretoria". "Essa galera aqui é a diretoria", alguém disse, e não fui eu. Igor Cascalho foi fundo na teoria do caos e soltou a grande frase da noite: "Vocês já pararam pra pensar que estamos todos aqui por causa de um x?", disse, referindo-se ao vestibular. Todos pararam na hora.
Alguns minutos depois, a doideira bateu de vez. Apesar da desproporção de tamanhos, começamos, eu e Cascalho, a trocar "jabs", de brincadeira, sem acertar. Só que a birita fez ele calcular mal a distância para os socos e o jab veio no meu nariz. Sangue e areia. Na praia de Itaipuaçu.
Fui com a cara cheia de sangue, com o Cascalho, buscar socorro no Céu por Testemunha, e invadimos a espelunca em busca de água limpa. Curei o ferimento como se tivesse capacidades mágicas.
Fomos todos embora, eu peguei carona com um cara chamado Luiz Gonzaga, que era da nossa turma e morava em Copacabana. Fui na frente, enquanto atrás iam três caras: um se chamava Fernando, e sumiu depois de dois semestres, o outro era o Marcelo Pinto e o terceiro era o Sérgio Barros, o Cabeleira.
Poucas vezes alguém encheu tanto o saco quanto o Sérgio Cabeleira, sete horas da manhã, na Ponte, explicando porque não tinha ficado com uma menina paraibinha da nossa turma. O cara desenvolveu horas, quando bastava ele dizer logo que ela tinha mau hálito (e tinha mesmo).
Só sei que cada um foi para casa sabendo que tinha vivido uma noite histórica, que iria marcar aquela passagem da vida pela faculdade. Um dia, sim, um dia, aproveitando que temos um camarada com casa em Maricá, um dia quero voltar ao Céu por Testemunha e pensar nessas merdas todas que foram roladas daquele ano de 1990 para cá. Puta que pariu.